A PÁSCOA DO PAPA FRANCISCO
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Por PASCOM . dia em CNBB
Publicado no Jornal O Maringá, 27.04.2025
A nossa fé no Cristo Ressuscitado se fortalece enquanto nos despedimos do Papa Francisco, o homem do diálogo, da simplicidade. Com esse sentimento, celebramos neste segundo Domingo da Páscoa, o Dia da Misericórdia, sem Papa.
O relato do Evangelho, neste domingo, mostra a baliza que sustenta a fé na comunidade participante. A figura de Tomé (Jo 20,19-31), ausente, é o retrato da humanidade descrente que precisa de sinais evidentes para crer. O mundo materializado tem dificuldades para alimentar a fé viva e atuante em vista da necessidade da imagem, do visível, do toque, do ver para crer.
No seu ministério, o Papa Francisco foi fiel ao Mestre que nos ensina a sair, ir ao encontro dos necessitados com misericórdia. Foi esta a primeira mensagem de Jesus Cristo Ressuscitado: “A paz esteja convosco” (cf. Jo 20,19). Foi essa a última mensagem do Papa Francisco de paz: “Feliz Páscoa!” A saudação dos sentimentos de amor vem antes da matéria, do visual: “Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então, os discípulos se alegraram por verem o Senhor” (Jo 20,20). O ver e crer andam juntos porque alimentam a vivacidade humana como “Peregrinos de Esperança”.
A mensagem central do Domingo da Misericórdia é a alegria de encontrar as pessoas que creem no Senhor que deu Sua vida por nós. Ao sentirmo-nos unidos e reunidos, as portas se abrem e a visão de um novo mundo surge ao nosso redor. É a construção da paz e da justiça, matéria da pregação e do anúncio do Senhor, enquanto peregrinava neste mundo, anunciando a Boa Nova.
O testemunho de amor que Jesus manifestou aos discípulos é de igual valorização, tanto para os discípulos presentes na comunidade reunida, quanto para os que estão ausentes.
Jesus acolhe com muita misericórdia, ao mesmo tempo, pede uma fé autêntica e comprometida com o testemunho de vida. Enquanto as portas estão fechadas, o medo se faz presente. É a situação de quem está inseguro, bloqueado, com medo. É preciso abrir portas para que a força do Espírito Santo possa arejar as mentes e façamos a nossa parte.
A esperança desperta atitudes de ir, se encontrar, olhar nos olhos, receber um abraço, acolher e mostrar a alma coberta com o afago e a força do amor, da paz. É nesse ambiente onde vivemos, com tensões, inseguranças, desajustes familiares, sociedade entristecida, que Jesus se faz presente, aparece Ressuscitado e saúda com a paz. Ele vem para iluminar a mente e os ambientes onde vivemos. Vem restaurar a vida de comunidade, despertar na humanidade o cuidado para com tudo o que foi criado por amor.
É nossa missão pedir a Deus que envie o Espírito Santo sobre os Cardeais, reunidos no Vaticano, para escolherem um novo Papa que nos faça caminhar das trevas para a luz, do desespero para a esperança, da tristeza para a alegria, do ateísmo para a fé pura e autêntica, do intimismo para a comunidade unida na fé e na esperança.
Que sejamos participantes, através da oração, a escolha do futuro Papa. O mundo precisa de um homem de fé como o Papa Francisco imitou São Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!”.
Acolhemos na Catedral de Maringá, neste Domingo da Misericórdia, às 14h, os juízes/as, promotores/as, desembargadores, advogados/as, oficiais de justiça, policiais, peritos/as criminais, detetives particulares, seguranças privados, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros/as, agentes da Defesa Civil, secretários/as municipais de segurança pública e membros de Conselhos Municipais de Segurança, funcionários/as e estudantes do Colégio da Polícia Militar para a Peregrinação Jubilar do nascimento de Jesus Cristo.
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