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A PAZ É FRUTO DA JUSTIÇA

Os ímpios destroem; os justos constroem a paz.

Por PASCOM . dia em CNBB

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Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 22.09.2024

A Paz é Fruto da Justiça
O sistema de trabalho e a velocidade das informações nos introduzem em um ritmo de vida tão acelerado que rapidamente nos esgotamos. O tempo para si mesmo, para a família, para a vida pessoal e comunitária está fragilizado, pois somos inconstantes na capacidade de discernir, realizar processos e dar tempo ao tempo. Até as sementes aceleramos para produzir e colher. Tudo deve ser feito às pressas. O grande desafio é educar para discernir a verdade e formar uma ideia própria sobre ela.
A tecnologia disponível serve como instrumento para divulgar, moldar e produzir a verdade segundo critérios pessoais, muitas vezes sem preocupação com a autenticidade, a dignidade ou a ética.
A sociedade, conduzida pela máquina da política, há muito tempo perdeu o senso comum, o valor do humano e a capacidade de respeitar e de se deixar respeitar. Vale a máxima da superação, da intimidação e da busca do lucro rápido, mesmo que seja fora dos padrões da ética e da moral.
Na Sagrada Escritura está escrito: “Os ímpios dizem: Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda; ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina” (Sb 2,12). Estamos em tempos agitados por campanhas políticas. Ao avaliar, escutar e discernir as manifestações, percebemos uma enxurrada de agressões desumanas que dificultam às pessoas discernirem quem está com a verdade. Invadimos o senso de fidelidade e produzimos a tortura da injustiça sem escrúpulos. Quanto mais se destrói o outro, mais se avança no próprio objetivo. Isso revela uma total distorção do caminho que constrói a justiça e a paz. Os ímpios destroem; os justos constroem a paz.
São Tiago escreve: “Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más” (Tg 3,16). A capacidade humana, alimentada pela fé, é capaz de reverter o negativismo e os desajustes na sociedade, construindo a solidez da harmonia e da justiça que gera a paz. “Por outro lado, a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura; depois, pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sem hipocrisia. O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz” (Tg 3,17-18). A superação das relações fragilizadas na sociedade parte do alto, da cruz, sinal de superação sem ódio, de amor revelado aos inimigos, e do acolhimento da mensagem positiva encontrada na Sagrada Escritura.
Jesus soube distribuir seu tempo para superar tensões e desafios, proclamando a Boa Nova e revelando o mistério da benevolência divina, anunciando um novo comportamento humano. Se os discípulos tinham dificuldade em entender os ensinamentos de Jesus, quanto mais as multidões. Jesus semeia e sabe que os frutos virão posteriormente. É preciso passar pela dor da cruz, morte e ressurreição, aguardando a força do Espírito Santo para compreender e integrar-se com Jesus no anúncio da Boa Nova. “Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: ‘Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!’” (Mc 9,35).
Oxalá que os milhões de reais que são jogados nas ruas e praças como força eleitoreira fossem revertidos para o bem da sociedade! Se os candidatos conquistassem pela ética, moral, verdade, sensibilidade humana e fé integrada à verdade e à justiça, certamente poderíamos vislumbrar um mundo novo.
Que a força do senso de justiça, que está dentro de nós cristãos, nos conduza às boas práticas e nos mantenha de mente aberta para discernir, com a força do Espírito da Verdade, para viver a paz, que é fruto da justiça.

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