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APRESENTAÇÃO DO SENHOR

Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM

Por PASCOM . dia em CNBB

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Publicado no Jornal O Maringá, 02.02.2025

O tempo de uma gestante é o exercício do silêncio, da sensibilidade, da ternura. A Pastoral da Criança prepara líderes para visitar, ouvir, ajudar gestantes pelo dom da criação. Os processos devem ser naturais, simples e humildes. Ninguém pode tirar, abortar.
O nascimento de uma criança muda os hábitos da família. O ambiente se torna sensível, pois, uma criatura tão frágil vem a luz do mundo porque precisa de todos os cuidados. Os líderes da Pastoral da Criança são presença para ajudar a orientar a mãe com os cuidados necessários: postura da mãe, da família, a amamentação, a alimentação, a relação de carinho do esposo, dos familiares, dar atenção e proteção.
A criança, quando vem a luz do mundo, não é uma criatura escondida, isolada no fundo de uma casa, produz uma grande alegria que deve ser apresentada aos vizinhos, à sociedade, registrar o nome, apresentar à comunidade de fé, o batismo. A vida é integrada nos meios sociais e eclesiais demonstrando o valor, a riqueza da vida a qual ninguém tem o direito de tirar, machucar, violentar, matar. Por ser criatura, há um criador, Deus Uno e Trino, que gera a vida e recolhe a vida para o reino da felicidade eterna.
Maria e José também apresentaram o Menino Deus ao templo para registrar, dar forma oficial que existe, faz parte do mundo das relações, do direito à dignidade, da fraternidade universal. “Assim diz o Senhor: Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais” (Ml 3,1). O profeta Malaquias descreve a grandeza do Filho de Deus que vem ao mundo para resgatar a humanidade perdida no pecado e recuperar a cultura da vida contra o desejo da morte, da eliminação da vida, seja qual for a instância em que se encontre.
O menino Deus, ao vir ao mundo, passa pelos processos culturais do seu tempo, é apresentado no templo e os velhos Simeão e Ana, que o esperavam com ansiedade, louvam a Deus por poderem ver com os próprios olhos a salvação de Israel.
“Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz: porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos; luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel” (Lc 2,29-30).
O mundo carece da presença do Deus amor e misericordioso, que une as pessoas, ilumina as mentes, sensibiliza as relações, para que a vida seja protegida, cuidada, amada.
Os quarenta dias após o Natal, ao celebrarmos a apresentação do Senhor, nós nos apresentamos diante dele e renovamos o nosso compromisso para cuidar da vida, poque ela é frágil, necessita de todo o cuidado. Acompanhamos muitas famílias com graves problemas de relacionamento porque as crianças não foram bem educadas nas suas necessidades básicas nos primeiros mil dias de vida, até os seis anos de idade. Neste período a criança deve ter acompanhamento responsável para favorecer uma ampla experiência de vida. Neste período as telas não devem ser a ocupação de uma criança enquanto a mãe e o pai se ocupam com as coisas do lar. A ciência comprova que muitos distúrbios na juventude vêm do excesso da tela na sua primeira infância.
José e Maria conviveram com o Menino, dando toda a atenção para que ele se tornasse em tudo semelhante a nós, menos no pecado.
Este é o Filho apresentado a nós para que também tenhamos vida em plenitude.

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