CONFIAR EM QUEM?
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Por PASCOM . dia em Mensagem do Arcebispo
Publicado no Jornal O Maringá, 16.02.2025
Estamos no Ano Jubilar do nascimento de Jesus Cristo. A vida eclesial nos anima a seguir Jesus Cristo com fé e esperança. A motivação para uma vida digna e justa é alimentada pela fé no Ressuscitado. “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). As mais diversas programações para o Ano Jubilar pretendem fortalecer o vínculo do fiel cristão com Deus, compromisso de solidariedade entre as pessoas em todos os tempos.
Neste domingo jubilar, a Palavra de Deus nos alerta sobre as falsas confianças, em quem devemos confiar plenamente. O profeta Jeremias tem palavras rígidas contra os que confiam em si e desprezam a intervenção divina. “Maldito o homem que confia no homem enquanto o seu coração se afasta do Senhor; como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar na secura do ermo, em região salobra e desabitada” (Jr 17,5-6). O profeta desmascara as falsas seguranças pessoais e sociais.
A pregação de Jesus na planície (Lc 6,17.20-26), acolhe os sofredores, pobres, injustiçados e promete-lhes a herança na vida eterna. Os sofrimentos deste mundo devem ser convertidos em superação de toda dor, criar condições sociais para uma vida cheia de amor e ternura. O Reino dos Céus é de amor e de justiça. “No Evangelho de Lucas Jesus é aquele que constrói sociedade e história nova a partir dos empobrecidos, aos quais confia o Reino. Mas as propostas do Reino se chocam com os interesses dos “grandes”, tão acostumados a levar vantagem em tudo. Por isso os seguidores de Jesus são odiados, expulsos, insultados e amaldiçoados (v.22). Para quem se compromete com o projeto de Deus, isso não é novidade, pois ódio, expulsão e rejeição já aconteceram com o Mestre” (cf. Roteiros Homiléticos, Ano C - Pe. José Bortolini, 6° Domingo do Tempo Comum).
As dicas para alimentar a esperança na vida cristã, encontramos na primeira carta de São Paulo aos Coríntios (15.12.16-20). O apóstolo recupera a verdade sobre a ressurreição de Jesus. É preciso crer e progredir na compreensão do sentido da nossa vida, caminho que nos leva a ressurreição. Paulo insiste em superar a cultura grega que afirmava o que vale é somente o espírito. Portanto, é normal, escravizar o corpo. Com isso legitimavam um regime de opressão e de morte. Para Paulo, a ressurreição de Jesus é um fato que pode ser comprovado historicamente. Sua ressurreição é o primeiro fruto maduro de uma grande árvore carregada de frutos (idem, p. 600). Se Jesus é o fruto maduro da nossa libertação, então supera a cultura grega e assumimos a cultura da integração, do cuidado da vida que Jesus proclama no Evangelho das bem-aventuranças. Somos chamados a superar toda opressão, marginalização, exclusão e escravidão.
Para enriquecer a nossa fé no Cristo Ressuscitado, somos convocados, neste Ano Jubilar, a compreender melhor e com mais eficaz a verdade do Evangelho que nos chama aos ensinamentos autênticos de Jesus Cristo. A nossa prática cristã deve ser direcionada para que todas as pessoas sejam atendidas, a começar pelas mais fragilizadas, sem-teto, sem-terra, sem-pão, sem liberdade.
O zelo pelas coisas de Deus nos mostra o caminho a ser seguido e fortalece em nós a certeza que toda a confiança está em Deus e não nos homens. Toda a verdade está em Deus e não nas ideologias massacrantes dos tempos atuais. A verdadeira liberdade está no Senhor porque Ele é justo e autêntico, a justiça nos liberta de toda a maldade humana.
Que a nossa fé seja madura e produza frutos da convivência fraterna, solidária, regado do grande amor que brota de Deus.
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