DESEJO DE VER DEUS
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Por PASCOM . dia em CNBB
Publicado no Jornal O Maringá, 03.11.2024
Depois do Dia de Finados, a Igreja nos leva a refletir sobre o destino final da nossa vida. A lógica da busca das coisas do alto, recolhemos a figura de tantos homens e mulheres que viveram intensamente a vida em Deus no serviço e respeito às pessoas, que justificamos o Dia de Todos os Santos de Deus.
Já no Antigo Testamento, Jó escreve com consciência madura que o nosso destino é chegar a Deus: “Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; e depois que tiver destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus” (Jó 19,25-26).
A encarnação do Filho de Deus em pele humana, está decretado definitivamente que voltaremos a Deus e o veremos como Ele é. “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos” (1Cor 15,20-21). Com a declaração do Apóstolo Paulo, estamos a caminho do encontro amoroso com Deus para sempre.
Pela graça do Batismo somos introduzidos na vida em Deus. Nos assemelhamos e buscamos a vida em comunidade, rumo à felicidade eterna. Enquanto caminhamos, superamos os desafios, amadurecemos na convivência humana, crescemos na sensibilidade que tem Jesus Cristo como exemplo e guia para a santidade.
A busca da qualificação de nossa vida, despertamos para o compromisso de fidelidade e de respeito de uns pelos outros. Nossa vida se torna madura e nos tornamos exemplo de vida qualificada que agrada a todas as pessoas. Permanecer fiel, simples e humilde agrada a Deus. O reflexo é iminente e nos tornamos pessoas queridas que apontam os rumos de uma humanidade solidária e fecunda de amor, de justiça e de paz.
Ao celebrar o Dia de Todos os Santos, admiramos o exemplo de muitos que nos inspiram para sermos mais felizes e corretos. O Papa Francisco afirma que precisamos perceber os santos e santas que estão ao nosso redor. Essas pessoas estão na nossa família, no nosso ambiente de trabalho. São pessoas totalmente desprendidas, alegres, transmitem um jeito agradável de viver.
São João escreve: “Caríssimos, vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!” (1Jo 3,1). Nada neste mundo pode destruir o desejo de estar na intimidade com Deus. Mesmo neste mundo da labuta, consegue anular o desejo de estar com Deus e viver sob a sua proteção. No Evangelho percebemos como é imenso e diversificado o número dos bem-aventurados, e que cada um possui sua forma peculiar de percorrer esse caminho para Deus.
O Dia de Todos os Santos é oportunidade para refletir sobre a nossa vocação a viver a boa conduta e ser pessoa agradável na família e na comunidade onde vivermos. A santidade acontece quando esvaziamos o nosso ser dos bens materiais para enchê-lo de Deus; quando renunciamos a pactuar com a violência e, com mansidão, vamos construindo um mundo de paz; quando não desanimamos nunca de clamar por justiça para todos; quando optamos pela misericórdia que se inclina diante da miséria para restaurar a dignidade; quando agimos com a intenção de fazer o melhor possível; quando somos da paz, mesmo que o mundo proclame a guerra, mesmo quando perseguidos, caluniados e obrigados a viver uma vida à margem da sociedade; e quando não desistimos de sonhar um mundo mais humano, fraterno e solidário. Assim, percebemos sinais da presença de Deus em nossa vida e o veremos face a face no céu.
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