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É PRECISO RECUPERAR O AMOR ORIGINAL

Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM

Por PASCOM . dia em CNBB

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Publicado no Jornal O Maringá, 04.05.2025

Por esses dias, quando a sede da Cátedra de São Pedro está vazia, nos unimos em oração para que o Espírito Santo ilumine os Cardeais na escolha do novo Papa. A Sagrada Escritura, a Tradição, o Magistério da Igreja nunca deixarão de garantir a unidade no anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo. Hoje, a Igreja enfrenta as dificuldades como os primeiros cristãos de acreditarem na ressurreição de Jesus Cristo. As informações sobre a ressurreição de Jesus, na mente dos discípulos, ainda eram inseguras, desconhecidas. Voltaram a pescar (Jo 21,1-19), retornaram para Emaús (Lc 24,13-35). Quando o ser humano é tomado pela decepção, abandona o enfrentamento, recua ao que era antes.

Nas aparições aos discípulos, Jesus os instruiu para a fidelidade, para o enfrentamento das dificuldades que são as consequências da Cruz. A força que supera e sustenta toda a tentação e toda a dor é o amor. “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” (v. 15). Pedro, aquele que O negou por três vezes, agora é testado por três vezes sobre o amor por Ele. A tríplice postura de Pedro, ao negá-Lo (Jo 18,25-27), não foi suficiente para Jesus confiar a coordenação do grupo. O amor venceu, Jesus confiou em Pedro a primazia sobre os apóstolos e até hoje continua confiando à Igreja o cuidado do pastoreio do rebanho na figura do Papa.

Ao longo dos tempos, os caminhos sinodais são desafiados pela mentalidade consumista, intimista, da perda da identidade do cuidado e do respeito à instituição. Tal qual no tempo de Jesus. O Templo estava contaminado pelo mercado desonesto e a distorção do sentido do Templo estava atrelada ao mercado do poder dominador. O amor a Deus estava esvaziado na sua essência.

Somos um povo de índole cristã, de tradição cristã, de costumes cristãos.
Surgem práticas de cunho ideológico-político, atrelando a religião cristã aos interesses estranhos à verdade e ao amor pregado por Jesus Cristo. “Precisamos limpar a cidade para que os migrantes não venham para cá”. “É preciso tirar os pobres daqui”. Infelizmente, práticas se voltam aos tempos de Jesus. Necessitamos redescobrir o amor original da nossa fé e da prática religiosa em nossos templos, em nossos estabelecimentos, em nossas casas.

As aparições de Jesus surgem de modo humano, simples, natural, com práticas do cotidiano. Caminha junto, escuta, explica as escrituras, come peixe e pão com eles, aparece no meio deles, os saúda com a paz, encoraja para serem firmes e corajosos, “não tenham medo”. Eis as diversas posturas de encorajamento para que os discípulos permaneçam firmes no anúncio de que “Ele Ressuscitou e está vivo no meio de nós”.

O mundo conspirador e ameaçador, como no Seu tempo, continua, é preciso ter muito amor e fé. A fé se fortalece no amor e o amor é a força da fé. Amar Jesus é amar aqueles por quem Ele deu a vida. A experiência de Pedro indica que a fidelidade a Deus é maior que as próprias fidelidades, negações, medos e fadigas. Jesus continua perguntando: “Tu me amas?” Manifestar nosso amor a Jesus é uma forma de também curar nossas feridas. (cf. comentário litúrgico, 3º Domingo da Páscoa).

Acreditar em Jesus Cristo Ressuscitado, ser Seu discípulo é testemunhar a verdade, sustentar a justiça, eliminar as tramas traiçoeiras que manipulam a lei conforme os interesses próprios, como no caso de querer enfraquecer a lei da Ficha Limpa para proteger grupos terroristas, opressores, golpistas.

Testemunhar o Cristo Ressuscitado é viver a verdade e pregar que somente a fé autêntica sustenta o amor que é capaz de salvar o mundo.

Que nossa fé nos conduza para o amor original em Jesus Cristo Ressuscitado!

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