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O SENHOR É MISERICORDIOSO

Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM

Por PASCOM . dia em CNBB

O SENHOR É MISERICORDIOSO
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O tempo quaresmal é propício para buscarmos o Senhor que nos chama para a conversão. Deus sempre chega em primeiro lugar. A amorosidade humana, em muitas ocasiões, perde o tempo de Deus e permanece no vale do sofrimento e da solidão, tristeza e angústia. Deus vê o sofrimento das pessoas e se importa com Suas criaturas. Não faz parte da natureza divina o sofrimento, a pobreza, a dor, a injustiça.
Na história antiga, encontramos diversas passagens quando o Senhor manifesta sua indignação com o sofrimento humano. Os doentes e os pobres são os preferidos de Deus. Não os abandonemos, estejamos atentos para acolher e cuidar em vez de expulsar e eliminar. “Eu vi a aflição de meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor por causa da dureza de seus opressores. Sim, conheço os seus sofrimentos. Desci para libertá-los das mãos dos egípcios, e fazê-los sair daquele país para uma terra boa e espaçosa, uma terra onde corre leite e mel” (Ex 3,7-8a).
Neste terceiro Domingo da Quaresma, ao ouvirmos a Palavra do Senhor, Ele nos desafia a mudar a postura de vida para alcançarmos Sua misericórdia, Seu amor. É tempo de conversão, de mudança de mentalidade. O exercício da caridade é o caminho que nos leva ao encontro do Senhor e percebemos o quanto Ele nos ama, nos ampara e nos protege.
Moisés, faz a emocionante experiência do encontro com Deus que fez brilhar no seu rosto a humanidade sedenta de Deus que o adora, se entrega ao seu mistério, obedece, muda totalmente a sua vida. Conversão é mudar de vida (Lc 13,1-9), tomar outro rumo, transformar as atitudes em testemunha da harmonia e liberdade.
O rosto invisível de Deus é desfeito com a encarnação do Verbo Divino. No Filho, Deus se torna visível. Ao celebrarmos o Ano Jubilar, peregrinos de esperança, nos colocamos a caminho do encontro com o Senhor. Agora podemos ver o rosto de Deus em seu Filho Jesus. Ele se fez gente, humanizou-se, nasceu e se fez homem. O Deus que se manifestou no Antigo Testamento é libertador: livre, promete ao povo terra e liberdade. Jesus Cristo veio confirmar que o Deus libertador tem o Reino dos Céus para todos nós. Somos peregrinos na busca da terra prometida, a definitiva, não mais deste mundo, mas na vida eterna.
O tempo de conversão é marcado pela iniciativa humana que busca a mudança de mentalidade e comportamento enquanto vivermos neste mundo. Somos criaturas convivendo com tudo o que Deus criou. Portanto, o que existe no planeta é obra do amor misericordioso de Deus. Não podemos destruir a vida que está em nós, na natureza, em Deus.
A conversão do coração e do pensamento faz parte da formação dos discípulos, para que estejam preparados para assumir a obra deixada por Jesus. “O arrependimento, absolutamente necessário, é um convite à mudança de vida.

Importa não se deixar vencer pelo comodismo e pelo egoísmo, que conduzem à morte. A parábola da figueira ilustra a paciência de Deus e as oportunidades que a cada dia Ele nos concede”.

Que os exercícios quaresmais nos fortaleçam na vida de oração, no jejum e na caridade, a esmola. Sejamos íntegros na vida enquanto buscamos o Senhor que nos chama para a conversão.

O cristão abre portas para acolher, enquanto os desumanos, egoístas, perversos fabricam muros e expulsam das cidades os pobres, os migrantes, os transeuntes. Quaresma é exercício da conversão do coração e de mentalidade no trato e no respeito para com as pessoas que são a imagem e semelhança de Deus. Porque Deus é infinitamente misericordioso.

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