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O IMPULSO DA FÉ

Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM

Por PASCOM . dia em CNBB

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Publicado no Jornal O Maringá, 27.10.2024

Estamos caminhando a passos largos para o Ano Jubilar, Peregrinos da Esperança. Os dois mil anos da vinda de Jesus ao mundo nos estimula a celebrar o dom da fé, a graça da vida renovada em Deus. Caminhamos em busca dos bens eternos. As promessas feitas por Deus aos antigos, foram se estabelecendo ao longo da história. Os profetas souberam romper os dias sombrios do exílio e imprimiram uma nova conduta na vida. “Exultai de alegria por Jacó, aclamai a primeira das nações; tocai, cantai e dizei: ‘Salva, Senhor, teu povo, o resto de Israel’” (Jr 31,7). Estimular ânimo, erguer a cabeça, acreditar no brilho das ações que formam uma nova mentalidade, é um modo sustentável de garantir na história que caminha para a superação das barreiras e vislumbrar um mundo de paz e de justiça.
Ao longo do caminho encontramos todas as situações humanas que imploram por harmonia e segurança. O povo eleito viveu essa experiência com a intervenção divina: “Eis que eu os trarei do país do Norte e os reunirei desde as extremidades da terra; entre eles há cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes: são uma grande multidão os que retornam. Eles chegarão entre lágrimas e eu os receberei entre preces; eu os conduzirei por torrentes d´água, por um caminho reto onde não tropeçarão, pois tornei-me um pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito” (Jr 31,8-9).
A insistência na descrição do profeta Jeremias nos introduz na esfera da fé que nos impulsiona para vislumbrar um mundo melhor. Acreditar na possibilidade de alcançar algo melhor exige coragem e determinação na vida. O relato do Evangelho sobre Bartimeu, o cego, (Mc 10,46-52), é a figura corajosa que acredita na superação da deficiência, cegueira, e ardentemente deseja ver a luz do mundo e a beleza das cores que cercam a vida.
O que moveu o Bartimeu foi a fé. Acreditou decididamente na possibilidade da superação da fragilidade humana e lançou tudo o que tinha para seguir Jesus. Largar o manto é deixar para trás tudo o que tinha de matéria, de bens, de posse, e no encontro com o Senhor, o milagre aconteceu. A fé deve ser inabalável, forte, corajosa, constante, total.
Perguntas brotam no nosso íntimo: o que devemos fazer? Como devemos agir? Qual atitude devemos tomar? A escuta no Espírito nos silencia diante os barulhos desse mundo, inclusive as vozes que querem nos calar, encoraja-nos para seguir em frente, sem timidez e constrangimento. Ser autêntico, corajoso, aproximar-se daquele que é luz e brilho na vida da gente. Jesus Cristo veio ao mundo para despertar em toda a humanidade uma nova razão de ser e de viver. Ouvir a Palavra que santifica nos coloca a caminho, impulsiona a fé que nos move ao encontro dos sonhos para uma vida agraciada com os bens insaciáveis do Reino dos Céus.
Participemos dos momentos reflexivos em vista da preparação do Ano Jubilar e acreditemos que somos os Peregrinos da Esperança. Estamos a caminho e confiadamente desejamos alcançar os bens futuros gerados pela prática da fé e constância na vida honesta. Assim como Bartimeu testemunha e proclama sua fé em forma de oração perseverante e confiante, também somos convidados a descobrir o que em nós precisa ser liberto para proclamar a fé, obter a graça da cura e seguir Jesus no caminho do discipulado.
Que as nossas atitudes sejam de confiança na manifestação do Senhor que ilumina nossos passos e sejamos construtores das boas relações criando um mundo mais fraterno e justo, acolhendo, sobretudo, os que gritam por inclusão, proteção.

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