O SOPRO DA NOVA VIDA
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Por PASCOM . dia em Mensagem do Arcebispo
Publicado no Jornal O Maringá, 08.06.2025
A Sagrada Escritura não é uma coletânea de livros para narrar a história e a ciência da criação do mundo, traz a ideia de que houve uma origem. Todas as criaturas, um dia, começaram a existir. Entendemos assim a origem do ser humano: “Então o Senhor Deus modelou, com o pó do solo, o homem e soprou-lhe nas narinas o sopro da vida; e o homem tornou a ser um ser vivo” (Gn 2,7). Sabemos que sem respirar não há vida.
Neste Domingo de Pentecostes, o Senhor renovou a obra criada, enviando o Espírito Santo sobre os discípulos reunidos e renova a face da terra. Pentecostes é uma tradição do povo antigo para renovar, retomar, libertar o povo da escravidão. Hoje, os sinais se repetem: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então, os discípulos se alegraram por ver o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio” E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos” (Jo 20,20-23). Com o sopro do Espírito Santo, a face da terra se renovou e nasceram as primeiras comunidades dos seguidores de Jesus Cristo.
O sopro do Espírito Santo encoraja a comunidade reunida em torno dos sentimentos de Jesus, que é a razão mais profunda de ser da comunidade de fé. Os exercícios de caridade sustentam a vida cristã numa comunidade viva e vibrante.
A razão de ser da Igreja cristã está alicerçada no anúncio de Jesus Cristo. O querigma é a primeira ação evangelizadora porque tem a missão de apresentar Jesus Cristo às pessoas que desejam viver os Seus ensinamentos, para com Ele um dia, ressuscitar, alcançar a vida eterna.
O mundo secularista, intimista, violento, materialista, muito distante dos ensinamentos de Jesus dos Evangelhos, tenta dividir a própria Igreja, reduzindo a doutrina num intimismo egoísta, negando a experiência comunitária, criando formas de práticas religiosas obstruindo a comunidade com seu zelo apostólico e de vida sacramental.
A renovação deve ser constante, assim como em Pentecostes, o sopro do Espírito Santo renovou a vida da comunidade primitiva, continua renovando a Igreja ao redor do Senhor que celebra os sacramentos, estimula as famílias reunidas em sua comunidade eclesial ao receber os sacramentos do Crisma, renovar as promessas batismais, e o novo ardor eclesial anima a vida cristã assistida pelo Espírito Santo.
Neste dia, o Espírito Santo encoraja os discípulos, renova a sua pertença ao Mestre que os ensinava por toda a Galileia, ilumina o seu caminho ao testemunhar que o Senhor ressuscitou e está vivo no meio de nós. O Espírito Santo nos faz entender e viver o modo próprio que gera caridade, justiça, solidariedade, paz, amor em nossos corações.
Deus nos deu os mais diversos dons, aptidões, capacidades para fortalecer as iniciativas dentro da comunidade, a paz e o amor perdidos pelo pecado. Assim como o pecado original destruiu a liberdade dos primeiros viventes no paraíso, agora, Jesus, através do Evangelho da alegria, restabelece na comunidade a paz original.
O Espírito Santo ilumina e sustenta a vida digna e fértil com sabedoria para que todas as pessoas vivam os ensinamentos de Jesus, sejam capazes de entender e viver segundo o espírito do Mestre de Nazaré. O Espírito vem para unir a comunidade, comprometer toda a prática cristã na comunidade de fé integrada, experimentando a harmonia filial, pois todos somos peregrinos de esperança.
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