"PERDEMOS A LIBERDADE DE SERMOS NÓS MESMOS"
Mensagem dominical de Dom Frei Severino Clasen - 16º Domingo do Tempo Comum - 21 de Julho de 2024
Por PASCOM . dia em Mensagem do Arcebispo
Cuidar, saber pastorear
Os grandes avanços no mundo moderno agitam a convivência humana. A necessidade de produzir, lucrar, faturar, equilibrar as contas sobrepõe a essência da vida que exige cuidado e liberdade. Perdemos a paz em vista da imposição do sistema produtivo que gera inquietação e agita o cotidiano da vida. Nos instrumentalizamos para dar conta das exigências e perdemos a liberdade de sermos nós mesmos.
Necessitamos de lideranças que nos conduzem para pastagens mais verdejantes com liberdade e dignidade. A missão das pessoas de boa vontade é recuperar, em todos os âmbitos, o percurso natural que gera sustentação, evolução, dignidade, justiça e paz. Quando a sociedade é conduzida por maus líderes, que geram ódio, divisão, discriminação e violência, perdemos o senso do equilíbrio, nos enfraquecemos como sociedade civilizada.
A Palavra de Deus desperta em nós a tarefa para participar das decisões, de maneira madura, saber avaliar, ajustar, cobrar dos líderes a condução dos rumos da sociedade.
O povo do Antigo Testamento, quando era conduzido por bons líderes, vivia tempos de paz e de progresso; quando mercenários governavam, o rebanho ficava à mercê da justiça e da paz. Hoje, não é diferente. Estamos prestes a entrar nas inquietações políticas, eleições. Fiquemos espertos para que o domínio pelo poder econômico não oprima os povos que têm sede de justiça, de liberdade e de cidadania.
Os profetas se tornam a voz gritante que denuncia a opressão dos falsos pastores que enganam o rebanho para o bem próprio (Jr 23,1-6). Hoje, tantos falsos pastores, compram as consciências do seu rebanho e os conduzem para os abismos sem capacidade de refletir e agir criticamente contra as falcatruas políticas e religiosas que massacram o povo. Instrumentalizam Deus e a religião para dominar as massas. Enquanto os autênticos líderes se preocupam com a sociedade é mais fácil conduzir para a paz e a justiça. Jesus se opõe aos maus pastores e chama a responsabilidade para si. Vendo a multidão sedenta de justiça, deixa a hora de descanso e se dedica ao cuidado do seu rebanho. “Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34). Jesus alimentava na vida das pessoas e curava as enfermidades, anunciava-lhes o Reino dos Céus, convocava todas as pessoas para participar da construção de um mundo que gera os sinais do Reino dos Céus entre nós.
Ao nos tornarmos discípulos missionários de Jesus, na família, no mundo do trabalho, na política, em todo o lugar, entendemos que Ele é nossa paz: do que era dividido, ele fez uma unidade (Ef 2,14). Incansavelmente somos convocados a sermos instrumentos da paz segundo os critérios do Evangelho. Como cristãos, nossa tarefa é participar da construção de um mundo melhor, obedientes ao Cristo, o Bom Pastor que arrebanha as ovelhas ao redor de si, pois Ele é a fonte da paz e da alegria.
Nosso testemunho de fidelidade, reconhecemos que somos iguais e educamos as gerações para a cultura da paz, fortalecidos pelo senso de justiça. A tarefa é constante. Fiquemos atentos, quem são os bons pastores que dão sua vida pelas ovelhas e quem são os maus pastores que exploram o rebanho para o bem próprio. É lamentável que pessoas inoportunas, ao entrarem no mundo da política logo se enriquecem. Enquanto os bons não perdem o senso da justiça e da amizade social.
Que saibamos distinguir os bons dos maus e sejamos corresponsáveis na indicação daqueles que sabem dar a sua vida pela causa do Evangelho.
Artigo semanal do Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, OFM
Publicado no Jornal O Maringá, 21.07.2024
Olá, deixe seu comentário para "PERDEMOS A LIBERDADE DE SERMOS NÓS MESMOS"