O SAMURAI DE CRISTO QUE PERDOOU DO ALTO DA CRUZ
Conheça a história de Paulo Miki e seus companheiros, os primeiros mártires do Japão que transformaram o sacrifício em semente de fé para o mundo inteiro
Por PASCOM . dia em LITURGIA DAS CORES
Imagine viver em um país onde a fé cristã era uma novidade absoluta, trazida por navegadores e missionários de terras distantes. É nesse cenário, no Japão do século XVI, que surge a figura de Paulo Miki. Nascido em uma família abastada e convertida pelo próprio São Francisco Xavier, Paulo não foi apenas um seguidor de Cristo; ele se tornou a voz do Evangelho em sua própria língua e cultura. Com a cor vermelha nos altares hoje, conheça um pouco mais dessa fascinante história na série Liturgia das Cores.
Um pregador que falava ao coração do Japão
Paulo Miki detém recordes fascinantes. Ele foi o primeiro religioso japonês e o primeiro mártir daquela terra. Embora tenha estudado com os jesuítas e se tornado um pregador brilhante — capaz de dialogar com sabedoria até com os monges budistas — Paulo nunca pôde ser ordenado sacerdote. O motivo? Naquela época, não havia nenhum bispo no Japão para lhe dar o sacramento da Ordem.
Isso, porém, não o impediu. Paulo percorreu os quatro cantos do país, levando a Palavra de Deus com uma alegria que cativava a todos. Sob sua influência, a comunidade cristã japonesa floresceu, chegando a contar com centenas de milhares de fiéis.
A Perseguição e o "Exército" de Mártires
Em 1596, o cenário político mudou. O regente imperial iniciou uma violenta perseguição cristã. Paulo foi preso com outros 25 companheiros. O grupo era uma amostra da Igreja: clérigos e leigos, jovens e idosos, unidos pelo mesmo Batismo.
Aqui estão os 26 santos que deram a vida em Nagasaki:
- Religiosos da Companhia de Jesus
- São Paulo Miki;
- São João de Goto Soan;
- São Tiago Kisai.
- Presbíteros da Ordem dos Frades Menores
- São Pedro Baptista Blásquez;
- São Martinho da Ascensão Aguirre;
- São Francisco Blanco;
- São Filipe de Jesus de las Casas;
- São Gonçalo Garcia;
- São Francisco de São Miguel de la Parilla.
Leigos, Catequistas e Jovens Neófitos:
- Os pequenos heróis que morreram cantando salmos:
- Luís Ibaraki (11 anos);
- Antônio (13 anos) e;
- Miguel Kozaki (14 anos).
- Os homens de fé:
- Leão Karasuma;
- Pedro Sukejiro;
- Cosme Takeya;
- Paulo Ibaraki;
- Tomé Dangi;
- Paulo Suzuki;
- Tomé Kozaki;
- Boaventura;
- Gabriel;
- João Kinuya;
- Matias;
- Francisco de Meako
- Joaquim Sakakibara e;
- Francisco Adaucto.
O sermão do alto da cruz
No dia 5 de fevereiro de 1597, eles foram crucificados na colina de Nishizaka. O que torna Paulo Miki um gigante da espiritualidade é o seu comportamento no momento final. Pendurado na cruz, ele não gritou de ódio. Em vez disso, proferiu seu último e mais poderoso sermão: perdoou seus executores e o imperador, convidando todos ao redor a seguirem Jesus.
"Os relatos sobre o martírio dos primeiros cristãos japoneses não mostram sombra de fanatismo... apenas uma enorme certeza e uma serena alegria." — Papa Bento XVI
Por que ele é tão importante para nós hoje?
A devoção a São Paulo Miki é fundamental porque ele representa a inculturação da fé. Ele provou que ser cristão não significa deixar de pertencer à sua pátria, mas sim elevar sua cultura ao encontro de Deus.
- Padroeiro: É, com São Francisco Xavier, o padroeiro do Japão.
- Conexão Universal: Seu martírio inspirou São Daniel Comboni a evangelizar a África séculos depois.
- No Missal Romano: Ocupam um lugar de honra no calendário universal para lembrar que o Evangelho é para todos os povos, sem exceção.
Oração a Santo Paulo Miki e Companheiros Mártires
Ó Santo Paulo Miki e mártires do Japão, que diante da cruz elevastes um testemunho ardente da fé em Cristo, acolhei nossa súplica. Fostes perseguidos e martirizados no ano de 1597, em Nagasaki, por defenderdes a verdade do Evangelho e, mesmo no martírio, proclamastes o amor e a salvação de Cristo aos vossos algozes e ao povo que vos observava.
Intercedei por nós, para que possamos receber a graça de perseverar em meio às provações, mantendo nossos corações firmes na fé que professamos. Que o vosso exemplo nos inspire a suportar com paciência as dificuldades, reconhecendo nelas uma oportunidade de nos unirmos ao mistério da Paixão de Cristo. Rogamos pela força de resistir às tentações que nos afastam do caminho da justiça e pela coragem de testemunhar nossa fé, mesmo quando enfrentamos rejeição ou desprezo.
Concedei-nos, santos mártires, um espírito de amor compassivo, para que possamos ser sinal de esperança para os que estão perdidos e consolo para os que sofrem. Que vossa memória nos recorde sempre do valor de cada sacrifício feito em nome de Cristo e nos conduza à alegria da vida eterna. Amém.
Gostou de conhecer todos os nomes desses heróis da nossa Igreja?
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