UM CHAMADO A MUDAR O CORAÇÃO
A visita de Leão XIV às nações africanas mostra a força dos povos, esmagados pelo jugo colonial, e nos pede que sejamos parte de um presente e de um futuro mais justos, fraternos e solidários.
Por PASCOM . dia em VATICANO
Editorial - Massimiliano Menichetti
A viagem do Papa à África nos pede para abrir os olhos, para mudar o compasso do nosso coração, tornando-o mais vivo; exorta-nos a agir para que o rosto da humanidade seja mais verdadeiro. Nestes dias, milhares de pessoas esperam e acompanham o Santo Padre, aglomerando-se ao longo das estradas empoeiradas de terra vermelha ou pelas ruas das cidades; muitas vezes, por trás dos cordões de isolamento, há casas com telhados de zinco, estruturas em ruínas, precárias, e, no entanto, os olhos de todos estão cheios de alegria, os sorrisos explodem assim que um olhar se cruza com uma saudação. Espera-se também por horas a passagem do carro do Papa ou do cortejo que o acompanha, para ter a oportunidade de uma imagem, de uma lembrança; canta-se, dança-se, agitam-se bandeiras, ramos, levantam-se ao céu mãos vibrantes.
Esta visita é um caminho pelas feridas e pelas esperanças de povos muitas vezes esquecidos, mas também um convite dirigido a todos para mudar de perspectiva, para não virar o rosto para o outro lado, para construir vínculos, fraternidade, relações, sem ceder ao medo e à resignação. A África que Leão está encontrando mostra uma vitalidade e uma energia transbordantes, uma capacidade de futuro sem limites, mas é igualmente evidente o jugo colonialista que o mundo continua a exercer para esmagar, controlar e conter as potencialidades. Aqui, onde os recursos são saqueados, a terra é ferida com resíduos tóxicos e se alimentam conflitos, contraposições e corrupção, o que é devorado pelos grupos de poder, políticos e econômicos, não é o dinheiro, mas o presente e o futuro de gerações inteiras. Em um planeta ferido por guerras e violências, o Sucessor de Pedro, ao contrário, constrói pontes, favorecendo encontro, reconciliação, consciência, unidade e paz. Como em Bamenda, que, por ocasião da visita, foi literalmente reconectada ao país. Por causa das violências ligadas à questão separatista, que provocou milhares de deslocados e mortos, quase não existiam mais estradas e o aeroporto estava inutilizável havia oito anos.
A chegada de Leão reativou não apenas canteiros materiais, mas também os do coração, reacendendo uma esperança adormecida. O Papa, com o seu peregrinar, mostra também as diferenças entre as nações que está visitando e dissolve a narrativa confusa e instrumental que, com muita frequência, considera a África como se fosse um único país, e não um continente. Mostra com força a unidade nas diferenças, a singularidade da família humana, da qual cada pessoa faz parte enquanto filha de Deus; faz ver a polifonia da Igreja, chamada a difundir a beleza do Evangelho, que, quando encarnado, desperta criatividade e constrói sociedades mais justas, fraternas e solidárias. O Papa exorta à responsabilidade compartilhada e, da África, fala ao mundo, a cada um de nós; coloca uma pergunta radical, que impele a ir ao encontro do outro para encontrá-lo, perdoá-lo, ajudá-lo, caminhar juntos, assumindo a tarefa de construir um novo horizonte comum. Em um mundo que muitas vezes se alimenta de polarizações, arrogância e ameaça, o Santo Padre leva o rosto de Cristo, que pede a cada um que mude, encarnando em cada ação da vida cotidiana o sim da conversão. Leão está reconectando a humanidade inteira, devolvendo aos povos o respeito e a liberdade de crescer e se desenvolver, desmontando pretensões de domínio e posse.
Fonte: Vatican News
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